Trump, o Regime e a Estratégia aos Soluços

Trump, o Regime e a Estratégia aos Soluços
A imprevisibilidade pode ser uma arma. Quando substitui os objectivos, o planeamento e o dia seguinte, transforma-se apenas em desorientação com porta-aviões.
Nota de abertura:
Há uma diferença entre ser imprevisível e não saber para onde se vai. Donald Trump ameaça, suspende, negoceia e volta a ameaçar, mas continua sem esclarecer se pretende conter o regime iraniano, obrigá-lo a assinar um acordo ou criar condições para a sua queda. O resultado é uma guerra conduzida por impulsos e uma paz que ninguém começou verdadeiramente a preparar.
A imprevisibilidade pode ser uma arma diplomática. Obriga o adversário a considerar vários cenários, impede-o de calcular confortavelmente os riscos e torna mais credível a ameaça de escalada. Mas só funciona quando, por baixo do ruído, existe uma estratégia estável, objectivos definidos e uma cadeia de decisões coerente.
Donald Trump parece ter transformado a imprevisibilidade na própria estratégia.
Ora anuncia ataques devastadores. Ora suspende as operações porque surgiram contactos diplomáticos. Ora declara que o Irão dispõe de uma última oportunidade. Ora afirma que decorreu uma negociação durante todo o dia. Logo depois, volta a ameaçar atingir o país com uma força esmagadora caso não obtenha o acordo pretendido.
Em 5 de Agosto de 2026, Trump afirmou que os Estados Unidos tinham mantido uma negociação prolongada com o Irão e, no mesmo quadro político, avisou que Teerão seria atingido com enorme intensidade se o entendimento falhasse. Poucos dias antes, responsáveis iranianos negavam a existência das negociações directas anunciadas por Washington.
A diplomacia transformou-se assim numa espécie de sessão espírita: Washington garante que está a conversar com Teerão, Teerão responde que não está presente e os mediadores regionais tentam interpretar os sinais vindos da sala.
O regime que não deve prevalecer
A República Islâmica do Irão não é apenas um governo autoritário com uma política externa agressiva. É um sistema no qual religião, poder militar, polícia política, clientelas económicas e redes regionais foram fundidos numa estrutura destinada a garantir a sobrevivência do regime.
A Guarda Revolucionária tornou-se um Estado dentro do Estado. Não protege apenas o sistema. Participa na economia, controla redes logísticas, domina sectores estratégicos, influencia a política externa e sustenta os mecanismos de repressão interna. A sua presença comercial estende-se ao petróleo, à construção, às telecomunicações, aos transportes, aos portos e às redes de comércio que aprenderam a prosperar precisamente sob as sanções.
O regime também demonstrou que está disposto a transferir os custos da sua sobrevivência para os países vizinhos e para a economia mundial. Ao transformar o estreito de Ormuz num instrumento de pressão, Teerão descobriu uma forma de converter a geografia em arma política.
As negociações entre o Irão e Omã para reorganizar a circulação no estreito mostraram até que ponto Teerão conseguiu colocar uma artéria energética mundial no centro das suas exigências. Uma das propostas discutidas atribuía ao Irão controlo significativo sobre o tráfego de entrada no Golfo, enquanto permaneciam divergências quanto às condições e às taxas de passagem.
Depois de meses de guerra, existe assim a possibilidade de os Estados Unidos acabarem por aceitar um acordo que reconheça ao Irão uma influência sobre a passagem marítima que Washington pretendia libertar.
Seria uma curiosa modalidade de vitória: destruir parte do país adversário e, no fim, reconhecer-lhe uma portagem estratégica.
O actual regime iraniano não deveria prevalecer intacto. A sua sobrevivência significaria provavelmente a continuidade da repressão, da chantagem regional e da utilização de forças armadas associadas como instrumentos permanentes de política externa.
Mas desejar o fim de um regime não é o mesmo que possuir uma estratégia para o substituir.
É precisamente aí que a política de Trump começa a desfazer-se.
Três objectivos dentro do mesmo ultimato
ELEMENTOS CENTRAIS
- Negociar: obter limitações nucleares, militares e regionais.
- Conter: degradar a Guarda Revolucionária e proteger os aliados.
- Substituir: criar condições políticas e institucionais para a queda do regime.
Washington parece perseguir simultaneamente três objectivos incompatíveis.
O primeiro é obrigar o regime a aceitar limitações profundas ao programa nuclear, aos mísseis e à sua actividade regional.
O segundo é degradar suficientemente a Guarda Revolucionária para reduzir a capacidade de repressão e agressão externa.
O terceiro, raramente assumido de forma completamente explícita, é criar condições para que o próprio regime caia.
Cada um destes objectivos exige uma estratégia diferente.
Se o objectivo é negociar, é necessário preservar interlocutores, estabelecer garantias, definir concessões recíprocas e construir mecanismos de verificação.
Se o objectivo é conter, é necessário organizar uma coligação regional duradoura, proteger rotas marítimas, limitar as redes financeiras do regime e responder de forma previsível às agressões.
Se o objectivo é promover uma transição política, é indispensável preparar uma alternativa interna, incentivar deserções, preservar a administração pública e construir uma arquitectura para o dia seguinte.
Trump tenta fazer as três coisas ao mesmo tempo.
Ameaça destruir o interlocutor com quem pretende negociar. Negoceia com o regime cuja queda sugere desejar. Suspende ataques para facilitar conversações e retoma-os quando considera que as conversações não produziram suficientemente depressa a fotografia de vitória.
Uma última oportunidade repetida demasiadas vezes deixa de ser última. Passa a ser apenas a próxima edição do espectáculo.
A diplomacia do negócio aplicada à História
Trump encara frequentemente a política internacional como uma negociação comercial.
Começa com uma ameaça extrema. Aumenta o preço. Cria urgência. Suspende a decisão. Exige uma concessão. Aceita um compromisso e apresenta-o como uma vitória que nenhuma outra pessoa teria conseguido obter.
Este método pode funcionar numa negociação sobre tarifas, contratos ou acesso a mercados.
Mas o Irão não é um fornecedor que receia perder um cliente.
É um Estado com uma história milenar, uma população politicamente complexa, um aparelho militar ideológico, profundidade territorial e uma elite habituada a interpretar qualquer concessão como uma ameaça à sua própria sobrevivência.
Para os dirigentes iranianos, a negociação não é apenas uma discussão sobre interesses nacionais. É também uma decisão sobre quem continuará vivo, livre e no poder depois do acordo.
Quanto mais Trump associa as negociações à ameaça de decapitação do regime, menos incentivos oferece aos seus responsáveis para assumirem riscos internos. Um dirigente pode aceitar reduzir uma tarifa. É menos provável que aceite assinar um acordo que talvez seja utilizado como intervalo antes da sua própria eliminação.
A hesitação que fortalece Teerão
A alternância entre ameaça e recuo pode ter começado como instrumento de pressão. Repetida durante meses, transforma-se numa fonte de informação para o adversário.
O regime aprende que Washington receia os custos de uma escalada prolongada.
Percebe que os países do Golfo temem novos ataques contra infra-estruturas energéticas.
Observa que os mercados reagem a cada rumor sobre a reabertura de Ormuz.
Conclui que Trump necessita de anunciar uma vitória política com mais urgência do que Teerão necessita de reconhecer uma derrota.
É uma posição negocial surpreendentemente confortável para um regime que deveria estar próximo da capitulação.
A própria guerra pode ter ajudado a liderança iraniana a recuperar temporariamente uma narrativa de defesa nacional, deslocando a atenção das suas falhas internas para a agressão externa. O conflito pode destruir capacidades materiais do regime e, ao mesmo tempo, reconstruir-lhe a legitimidade nacionalista.
Pode enfraquecer quartéis e fortalecer a propaganda.
Pode matar dirigentes e convencer funcionários, militares e cidadãos hesitantes de que a sobrevivência do Estado depende da união em torno dos homens que antes desprezavam.
O desaparecimento da oposição
Uma estratégia destinada a preparar o fim do regime teria de começar pela sociedade iraniana.
Seria necessário identificar organizações civis, sindicatos, administrações locais, técnicos, diplomatas, militares regulares, académicos e movimentos políticos capazes de participar numa transição.
Também seria indispensável construir pontes entre republicanos, monárquicos constitucionais, liberais, movimentos de mulheres, minorias étnicas e outros grupos oposicionistas.
Nada disto se faz durante uma conferência de imprensa.
A oposição iraniana continua fragmentada e não existe uma liderança única cuja legitimidade interna possa ser demonstrada de forma convincente. Reza Pahlavi possui projecção internacional, mas enfrenta dificuldades para se afirmar como dirigente de uma transição, divisões entre dissidentes e dúvidas sobre a profundidade da sua base organizada dentro do país.
Isto não significa que a alternativa seja inexistente. Significa que precisa de ser construída.
Mas essa construção exige tempo, confiança e discrição.
Um potencial desertor da administração iraniana não se comprometerá com uma transição se suspeitar que Trump poderá, quarenta e oito horas depois, assinar um acordo com os dirigentes que o irão prender.
Um oficial do Exército regular não abandonará o regime se não souber quem garantirá a integridade territorial e o funcionamento das instituições.
Um movimento civil não exporá as suas redes internas se Washington puder utilizá-las como instrumento de pressão e esquecê-las assim que obtiver um acordo sobre petróleo, mísseis ou navegação.
A incoerência americana não perturba apenas o inimigo. Perturba também aqueles que poderiam ajudá-la.
O bloqueio que pode salvar a Guarda Revolucionária
Uma alternativa frequentemente apresentada seria cercar economicamente o Irão enquanto se degradavam as capacidades militares e logísticas do aparelho revolucionário.
A ideia possui lógica, mas requer uma distinção essencial.
É necessário bloquear o regime, não a sociedade.
Um bloqueio económico indiscriminado atingiria medicamentos, alimentos, salários, pequenas empresas e serviços públicos. Experiências anteriores demonstraram que, mesmo quando existem excepções humanitárias formais, as restrições bancárias e o receio de sanções podem impedir importações de medicamentos e equipamento médico.
Ao mesmo tempo, o bloqueio aumentaria o valor das redes clandestinas controladas ou exploradas por estruturas próximas da Guarda Revolucionária.
Quanto mais escasso o produto, mais poderoso se torna quem domina a fronteira, o porto, a licença e o mercado negro.
O regime poderia transformar o sofrimento da população em instrumento de propaganda e a escassez em fonte de rendimento.
A pressão eficaz teria, portanto, de se concentrar nas empresas, fundações, intermediários financeiros e redes comerciais ligadas ao aparelho coercivo, preservando canais humanitários rigorosamente supervisionados.
Não seria tão teatral como um bloqueio total. Mas as estratégias sérias têm frequentemente esse defeito: funcionam melhor do que ficam na televisão.
O que uma estratégia coerente exigiria
Antes de decidir quantas bombas utilizar, Washington teria de decidir qual o resultado político pretendido.
Caso o objectivo fosse apenas conter o Irão, deveria procurar um acordo verificável sobre o programa nuclear, a liberdade de navegação, os mísseis e o apoio a forças regionais, mantendo pressão económica selectiva e defesa coordenada dos países ameaçados.
Caso o objectivo fosse favorecer uma transição, seriam necessários compromissos muito mais profundos.
Os Estados Unidos e os seus aliados teriam de declarar que pretendem preservar a integridade territorial iraniana e o funcionamento do Estado.
Deveriam oferecer garantias condicionais a funcionários, militares e técnicos que abandonassem a repressão, distinguindo-os dos responsáveis por tortura, terrorismo, execuções e crimes graves.
Precisariam de apoiar uma autoridade transitória plural, limitada no tempo, encarregada de manter os serviços públicos, libertar presos políticos, desmantelar os órgãos repressivos e preparar uma assembleia constituinte.
Teriam também de aceitar uma verdade pouco compatível com a vaidade imperial: o futuro sistema político não poderia ser escolhido em Washington.
A alternativa teria de ser iraniana.
Bombardear pode abrir uma crise.
Não escolhe uma Constituição.
Não organiza eleições.
Não reconcilia grupos rivais.
Não impede vinganças.
Não mantém hospitais, centrais eléctricas e redes de abastecimento em funcionamento.
As bombas são ferramentas extraordinariamente limitadas, apesar da insistência humana em lhes atribuir capacidades administrativas.
Trump quer conservar todas as portas abertas
O problema central é que Trump parece recusar-se a escolher.
Quer conservar a possibilidade de um acordo rápido.
Quer manter a ameaça de destruição do regime.
Quer apresentar cada suspensão de ataques como prova de humanidade.
Quer apresentar cada novo ataque como prova de força.
Quer que Teerão acredite que pode sobreviver através de um acordo, mas também que poderá ser eliminado mesmo depois de o assinar.
Esta ambiguidade não é sustentável.
Para negociar seriamente com o regime, Washington tem de oferecer alguma segurança de que o cumprimento do acordo produzirá benefícios duradouros.
Para incentivar uma revolta contra o regime, Washington tem de convencer os opositores de que não acabará por salvá-lo através de uma negociação de última hora.
As duas mensagens anulam-se.
Trump fala para audiências diferentes e promete a cada uma a vitória que deseja ouvir. Aos aliados mais prudentes, oferece negociações. Aos defensores da mudança de regime, oferece ameaças. À opinião pública americana, promete uma guerra curta. Aos militares, exige opções. Aos mercados, anuncia um acordo próximo.
No final, todos ouvem alguma coisa.
Ninguém sabe qual delas constitui a política dos Estados Unidos.
A vitória que pode parecer uma derrota
O perigo é Trump acabar por aceitar um acordo limitado sobre Ormuz, anunciar o fim vitorioso do conflito e deixar o regime danificado, mas politicamente reforçado.
A Guarda Revolucionária poderia apresentar-se como a força que resistiu aos Estados Unidos, preservou o sistema e obrigou Washington a negociar.
A repressão interna seria justificada como necessidade de segurança nacional.
A oposição seria acusada de colaboração com o inimigo.
Os sectores mais pragmáticos seriam desacreditados.
E o regime aprenderia uma lição perigosa: a escalada regional, a ameaça às rotas energéticas e a capacidade de suportar meses de ataques podem obrigar a maior potência militar do mundo a regressar à mesa.
Washington teria destruído muito para conseguir pouco.
Teerão teria perdido muito e, ainda assim, sobrevivido.
No estranho teatro das guerras modernas, ambos poderiam proclamar vitória enquanto as populações contabilizavam os mortos, os escombros e as oportunidades perdidas.
O dia seguinte que ninguém prepara
A maior falha da estratégia de Trump não está apenas na condução da guerra.
Está na inexistência visível de uma política para o que poderá acontecer depois.
AS PERGUNTAS QUE NÃO PODEM ESPERAR
- Quem controlará os arsenais?
- Quem garantirá a continuidade da administração?
- Quem impedirá que sectores da Guarda Revolucionária se transformem em milícias privadas?
- Quem representará as várias comunidades iranianas?
- Quem evitará que países vizinhos apoiem facções concorrentes?
- Quem decidirá o futuro modelo constitucional?
Estas perguntas não podem ser respondidas na manhã seguinte à queda.
O dia seguinte começa antes do último dia do regime.
Precisa de instituições provisórias, interlocutores credíveis, planos de continuidade administrativa, garantias às minorias, justiça transitória e uma sequência constitucional legitimada pelos iranianos.
Trump, porém, continua concentrado no instante dramático: a ameaça, o ataque, o telefonema, o anúncio, a fotografia.
É um mestre do momento.
O problema é que a História acontece entre os momentos.
A estratégia que falta
O regime iraniano não deveria ser autorizado a regressar simplesmente à normalidade anterior, conservando intacta a capacidade de reprimir a população e ameaçar os vizinhos.
Mas a alternativa não pode ser uma política aos soluços, na qual cada ultimato substitui o anterior e cada negociação suspende temporariamente uma guerra cujo objectivo continua indefinido.
A estratégia necessária teria de combinar pressão selectiva sobre o aparelho revolucionário, contenção militar, protecção humanitária, preparação da oposição, incentivos à deserção e uma via política para a transição.
Precisaria também de uma decisão clara.
Ou os Estados Unidos pretendem negociar uma contenção duradoura com a República Islâmica. Ou pretendem criar condições para que os iranianos construam uma ordem política diferente.
Tentar salvar o regime como interlocutor durante a manhã e ameaçar destruí-lo como inimigo ao final da tarde compromete ambas as possibilidades.
Trump pode continuar a alternar bombas e propostas, ameaças e pausas, como quem testa diferentes posições numa negociação imobiliária.
Mas um país não é um edifício vazio.
Dentro dele existem milhões de pessoas, instituições, memórias, rivalidades e esperanças.
Derrubar um regime pode exigir força.
Substituí-lo exige inteligência política.
E quando uma potência não sabe exactamente o que deseja construir, cada bomba lançada não aproxima necessariamente a vitória. Pode apenas tornar mais fundo o terreno onde, um dia, alguém terá de tentar erguer a paz.
Nota Editorial
Esta crónica é uma análise crítica de estratégia internacional. Não defende ataques indiscriminados, punições colectivas ou a imposição externa de um governo ao povo iraniano. Qualquer acção militar deve respeitar o direito internacional, a distinção entre alvos civis e militares e o princípio da proporcionalidade.
A rejeição do regime teocrático não pode converter-se em hostilidade contra a sociedade iraniana. Uma transição legítima exige protagonismo interno, protecção humanitária, continuidade dos serviços públicos e escolha constitucional pelos próprios cidadãos do Irão.
A questão decisiva não é apenas saber se o regime pode cair, mas se existe inteligência política suficiente para impedir que a sua queda seja seguida por uma ditadura militar, uma guerra entre facções ou a fragmentação do Estado. O dia seguinte não é um apêndice da guerra. É a única razão racional para definir como a guerra deve terminar.
Referências credíveis
- Reuters — Trump says US held "all-day negotiation" with Iran on Tuesday
- Reuters — Proposed Hormuz deal would give Iran control of inbound traffic, sources say
- Associated Press — Trump frequently announces he is halting strikes in Iran. But they keep happening
- Reuters — Trump says talks with Iran under way but Tehran denies any planned
- Foreign Affairs — How the War Saved the Iranian Regime
- Reuters Investigates — Regime change? Inside Reza Pahlavi's faltering bid to lead Iran
- Reuters — Iranian Guards' business empire to win big if US sanctions lifted
- Human Rights Watch — Maximum Pressure: US Economic Sanctions Harm Iranians' Right to Health
- Chatham House — The wishful thinking behind the war with Iran
- Chatham House — US and Israel attack Iran: early analysis
Augustus Veritas
Com co-autoria de :
Francisco Gonçalves
Fragmentos do Caos
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