Do Zé Ninguém ao Cidadão Algorítmico

Do Zé Ninguém ao Cidadão Algorítmico
O rebanho já não precisa de pastor
Crónica · Democracia · Algoritmos · Redes Sociais · Inteligência Artificial · 9 de Agosto de 2026
- Género: crónica de opinião, filosofia política e crítica da cultura digital.
- Tema: autonomia intelectual, recomendação algorítmica, pensamento crítico e democracia.
- Tese: a influência contemporânea pode ser mais eficaz precisamente quando é personalizada e deixa de parecer influência.
- Nuance científica: algoritmos não determinam sozinhos crenças ou polarização; os efeitos variam por plataforma, contexto e utilizador.
- IA: pode servir tanto a investigação e a aprendizagem como a procura de confirmação das crenças existentes.
"A forma mais eficiente de influência talvez seja aquela que não parece influência."
Há mais de uma década escrevi sobre o Zé Ninguém.
Não exactamente um homem.
Uma condição.
Aquela criatura social que acredita possuir opiniões próprias, mas passa grande parte da vida a receber opiniões dos outros.
Que protesta contra quem lhe dizem para protestar.
Admira quem lhe dizem para admirar.
Teme aquilo que lhe apresentam como ameaça.
E, perante aquilo que verdadeiramente poderia mudar, encolhe os ombros:
"Que posso eu fazer?"
O Zé Ninguém não desapareceu.
Modernizou-se.
Comprou um smartphone.
Abriu contas nas redes sociais.
Fez talvez uma licenciatura.
Passou a receber milhares de informações por dia.
E ficou profundamente convencido de que finalmente pensa pela sua própria cabeça.
Foi então que o sistema descobriu que já nem sequer precisava de lhe dar um pastor.
Bastava dar-lhe um algoritmo.
Durante séculos, controlar populações exigiu trabalho.
Era necessário possuir jornais.
Controlar rádios.
Dominar púlpitos.
Organizar propaganda.
Construir partidos.
Colocar cartazes.
Realizar comícios.
Convencer pessoas.
Tudo bastante cansativo.
Hoje conseguimos uma coisa tecnologicamente muito mais elegante.
Cada cidadão leva voluntariamente no bolso uma pequena máquina que observa aquilo que vê, aquilo que ignora, aquilo que compra, aquilo que procura, aquilo que partilha, aquilo que o irrita e aquilo que o assusta.
Ninguém o obriga.
Ele próprio a carrega.
Carrega-a de noite.
Consulta-a de manhã antes de olhar pela janela.
E fica perturbado quando a bateria chega aos dez por cento.
Poucos regimes políticos da história conseguiram semelhante grau de dedicação voluntária ao dispositivo de acompanhamento.
Mas seria demasiado fácil culpar a tecnologia.
O algoritmo não inventou a natureza humana.
Apenas aprendeu a explorá-la.
Descobriu rapidamente que não gostamos necessariamente da verdade.
Gostamos daquilo que confirma a nossa verdade.
Não procuramos sempre informação.
Procuramos confirmação.
Não queremos necessariamente compreender o adversário.
Queremos frequentemente derrotá-lo.
E poucas coisas produzem mais satisfação psicológica do que descobrir que aquilo em que já acreditávamos estava certo desde o princípio.
O algoritmo percebeu isto antes de muitos filósofos contemporâneos.
E transformou-o num modelo de negócio.
O velho Zé Ninguém seguia o pastor.
O novo cidadão algorítmico segue-se a si próprio.
Ou pelo menos assim pensa.
É uma evolução extraordinária.
O controlo tornou-se personalizado.
Já não é necessário dizer a milhões de pessoas exactamente a mesma coisa.
Podemos dizer a cada uma aquilo que mais provavelmente a fará permanecer diante do ecrã.
Ao revoltado damos indignação.
Ao medroso damos ameaças.
Ao conspirativo damos conspirações.
Ao vaidoso damos aplausos.
Ao ressentido damos culpados.
Ao fanático damos inimigos.
E ao cidadão moderado oferecemos suficientes absurdos dos extremos para que se sinta profundamente razoável.
Tudo personalizado.
Tudo conveniente.
Tudo seleccionado.
A verdade tornou-se uma experiência de utilizador.
É aqui que aparece um paradoxo fascinante.
Nunca tivemos acesso a tanta informação.
Nunca tivemos tanta facilidade em consultar livros, artigos científicos, jornais internacionais, documentos públicos, arquivos históricos e especialistas.
Uma pessoa sentada num café de uma pequena aldeia portuguesa possui hoje acesso a mais conhecimento do que muitos reis alguma vez tiveram.
E, no entanto, acesso ao conhecimento não significa vontade de conhecer.
Podemos carregar uma biblioteca inteira no bolso e passar três horas a discutir uma frase retirada de contexto.
A tecnologia democratizou o acesso ao conhecimento.
Também democratizou a capacidade de dizer disparates para uma audiência mundial.
Era inevitável.
A humanidade não ia receber uma ferramenta extraordinária sem encontrar imediatamente formas criativas de a utilizar mal.
Talvez tenhamos confundido escolaridade com educação.
Diplomas com pensamento.
Informação com conhecimento.
Conhecimento com sabedoria.
Não são a mesma coisa.
Uma sociedade pode ter mais licenciados e continuar intelectualmente vulnerável.
Pode aumentar a escolaridade e diminuir a leitura.
Pode multiplicar universidades e reduzir a curiosidade.
Pode ensinar pessoas a responder correctamente a exames sem nunca lhes ensinar a perguntar:
"Como sabemos que isto é verdade?"
E essa talvez seja uma das perguntas mais importantes da democracia.
Porque democracia não é apenas votar.
É possuir cidadãos capazes de duvidar.
Dos governantes.
Da oposição.
Dos jornais.
Dos especialistas.
Dos influenciadores.
Dos amigos.
E sobretudo de si próprios.
Esta última parte é terrivelmente inconveniente.
É relativamente fácil suspeitar dos outros.
Questionar as nossas próprias convicções exige esforço.
Significa aceitar que talvez tenhamos estado errados.
Que talvez o político que admiramos tenha mentido.
Que talvez a notícia que partilhámos seja falsa.
Que talvez o grupo a que pertencemos não tenha sempre razão.
É muito mais confortável encontrar outro culpado.
O Zé Ninguém digital possui, portanto, uma característica profundamente humana:
é céptico em relação a tudo aquilo de que discorda e extraordinariamente crédulo perante aquilo que confirma as suas convicções.
Exige provas impossíveis ao adversário.
Aceita um meme como prova definitiva do seu lado.
Investiga durante quinze minutos uma afirmação que o incomoda.
Partilha imediatamente aquela que o satisfaz.
Depois chama a isso pensamento crítico.
É uma expressão com excelente reputação.
Todos a querem.
Poucos apreciam realmente aquilo que implica.
Pensar criticamente não significa desconfiar de tudo.
Isso é apenas paranoia com vocabulário académico.
Significa avaliar evidências.
Comparar fontes.
Reconhecer incerteza.
Distinguir factos de opiniões.
Alterar conclusões quando os factos mudam.
E aceitar uma coisa extremamente desagradável:
por vezes, o nosso adversário tem razão.
Esta talvez seja uma das maiores dificuldades da política contemporânea.
Já não discutimos apenas ideias.
Defendemos identidades.
Se uma ideia pertence ao nosso grupo, atacá-la parece atacar-nos.
E quando política se transforma em identidade, a razão torna-se uma traição possível.
O algoritmo adora isto.
Conflito produz atenção.
Indignação produz cliques.
Medo mantém pessoas ligadas.
Nuance tem um pequeno problema comercial:
é aborrecida.
"Este assunto é complexo e existem bons argumentos de ambos os lados" dificilmente conquista milhões de visualizações.
"ELES ESTÃO A DESTRUIR TUDO" possui melhor desempenho.
A civilização levou milhares de anos a construir instituições capazes de moderar paixões.
Depois inventámos plataformas que descobriram que paixões são óptimas para publicidade.
Há um certo talento colectivo para complicarmos a nossa própria existência.
Mas não seria justo colocar toda a responsabilidade nas redes sociais.
Antes delas já existia conformismo.
Já existiam clientelismo, medo, tribalismo, submissão e culto da personalidade.
A tecnologia apenas aumentou a velocidade.
O velho café da aldeia tinha uma bolha de opinião.
Agora chama-se comunidade digital e pode reunir dois milhões de pessoas.
O boato atravessava a rua.
Agora atravessa continentes antes de alguém conseguir verificar se era verdadeiro.
A diferença não é apenas de escala.
É de velocidade.
E velocidade altera sistemas.
Há outra transformação.
Antigamente o cidadão sabia muitas vezes que estava a seguir alguém.
Um partido.
Um líder.
Um jornal.
Uma igreja.
Uma associação.
Hoje pode acreditar que chegou sozinho às suas conclusões.
Não vê o editor.
Não vê os critérios de selecção.
Não conhece o modelo que decidiu aquilo que apareceu primeiro.
Recebe uma sequência personalizada de conteúdos e interpreta essa sequência como realidade.
É um mecanismo extraordinariamente poderoso.
Porque a forma mais eficiente de influência talvez seja aquela que não parece influência.
O rebanho deixou de caminhar atrás de um pastor visível.
Cada ovelha recebe agora um caminho personalizado no ecrã.
Todas sentem que escolheram a direcção.
É progresso.
E depois chegou a inteligência artificial.
Aqui a questão torna-se ainda mais interessante.
Pela primeira vez, milhões de pessoas têm acesso a sistemas capazes de explicar, resumir, comparar, traduzir, analisar e ajudar a explorar praticamente qualquer assunto.
Isto pode ser uma das maiores ferramentas de emancipação intelectual da história.
Ou pode tornar-se uma máquina extraordinariamente eficiente para evitar pensar.
Depende da pergunta.
Podemos perguntar:
"Ajuda-me a compreender este problema."
Ou podemos perguntar:
"Demonstra que tenho razão."
São utilizações tecnicamente semelhantes.
Intelectualmente opostas.
Uma inteligência artificial pode ampliar curiosidade.
Pode permitir confrontar argumentos.
Procurar contra-exemplos.
Descobrir perspectivas diferentes.
Testar hipóteses.
Aprender assuntos difíceis.
Mas também pode tornar-se um sofisticado fabricante de confirmação.
O velho Zé Ninguém tinha dificuldade em encontrar alguém disposto a validar todos os seus preconceitos às três da manhã.
Agora isso pode ser tecnicamente possível.
O futuro da inteligência humana dependerá também da forma como decidirmos conversar com as máquinas.
Talvez por isso a pergunta mais importante deixe de ser:
"Temos acesso à informação?"
Temos.
E passe a ser:
"Que fazemos com ela?"
Porque a abundância criou um problema que a escassez nunca teve.
Quando existe pouca informação, procuramos obtê-la.
Quando existe informação infinita, precisamos de aprender a rejeitá-la.
Seleccionar.
Verificar.
Contextualizar.
Hierarquizar.
Pensar tornou-se, em parte, a arte de decidir ao que não devemos prestar atenção.
É aqui que regressamos ao velho Zé Ninguém.
O problema nunca foi apenas falta de instrução.
Nem pobreza.
Nem origem social.
Nem nacionalidade.
Há Zés Ninguém com doutoramento.
Com gabinetes.
Com títulos.
Com programas de televisão.
Com milhões de seguidores.
O Zé Ninguém é aquele que abdica da responsabilidade de pensar por si próprio enquanto acredita firmemente que o faz.
Pode ser pobre ou rico.
Analfabeto ou professor universitário.
De esquerda ou de direita.
Progressista ou conservador.
O conformismo não tem ideologia.
Adapta-se maravilhosamente a todas.
Por isso talvez eu hoje escrevesse de maneira diferente aquilo que escrevi há mais de uma década.
Não diria simplesmente:
"o português é assim".
Isso seria demasiado confortável.
Porque se o defeito pertence ao povo, cada um de nós fica automaticamente inocente.
É sempre "o português".
Nunca somos nós.
Hoje perguntaria:
que instituições recompensam a obediência?
Que escolas ensinam respostas antes de ensinar perguntas?
Que partidos preferem militantes obedientes a cidadãos críticos?
Que empresas promovem concordância e castigam dissidência?
Que meios de comunicação transformam indignação em audiência?
Que plataformas transformam tribalismo em lucro?
E, sobretudo:
que fazemos nós próprios para resistir a tudo isto?
A liberdade possui uma característica desagradável.
Dá trabalho.
É muito mais simples seguir.
Escolher exige responsabilidade.
Pensar exige esforço.
Questionar pode trazer solidão.
Mudar de opinião pode trazer humilhação.
Discordar do nosso próprio grupo pode custar pertença.
Por isso tantas pessoas preferem uma pequena prisão confortável a uma liberdade intelectualmente exigente.
A porta pode até estar aberta.
Mas sair implica decidir para onde ir.
Talvez seja esse o verdadeiro Zé Ninguém.
Não aquele que não possui poder.
Mas aquele que desistiu de exercer o pequeno poder que ainda possui sobre si próprio.
O poder de perguntar.
De aprender.
De dizer não.
De mudar de opinião.
De não partilhar imediatamente.
De desligar o ecrã.
De ler o argumento contrário.
De admitir:
"Não sei."
Duas palavras extraordinárias.
Provavelmente entre as mais inteligentes que alguém pode pronunciar.
E talvez também entre as menos populares nas redes sociais.
A democracia necessita precisamente deste cidadão.
Não de alguém que saiba tudo.
Mas de alguém que saiba que pode estar errado.
Não de pessoas sem convicções.
Mas de pessoas cujas convicções sobrevivam ao confronto com os factos.
Não de cidadãos permanentemente revoltados.
Mas de cidadãos permanentemente atentos.
Porque o contrário da submissão não é gritar.
É pensar.
Wilhelm Reich escreveu para o pequeno homem dominado pelos seus medos, ressentimentos e necessidade de submissão.
O nosso século acrescentou uma dimensão nova.
Hoje esse pequeno homem possui tecnologia suficiente para projectar esses medos sobre milhões de pessoas.
Pode também, pela primeira vez, possuir ferramentas suficientes para os compreender.
Essa talvez seja a grande bifurcação.
Nunca tivemos instrumentos tão poderosos para aprender.
Nunca tivemos instrumentos tão poderosos para evitar aprender.
Nunca tivemos tanto acesso à diversidade de pensamento.
Nunca foi tão fácil viver dentro de uma bolha construída à nossa medida.
Nunca fomos tão potencialmente livres.
Nunca fomos tão facilmente conduzidos.
O velho Zé Ninguém perguntava:
"Que posso eu fazer?"
O cidadão algorítmico talvez devesse começar por uma coisa aparentemente pequena.
Perguntar:
"Porque acredito nisto?"
Quem me disse?
Que provas existem?
O que me faria mudar de opinião?
Que argumento contrário ainda não ouvi?
E quem ganha se eu continuar furioso?
Pode parecer pouco.
Mas revoluções intelectuais começam frequentemente com perguntas pequenas.
O rebanho já não precisa de pastor.
Essa é a má notícia.
A boa é que também já não precisamos de esperar pelo pastor para descobrir outro caminho.
O conhecimento está diante de nós.
As ferramentas existem.
A escolha continua nossa.
Desde que ainda sejamos capazes de distinguir uma escolha daquilo que alguém escolheu cuidadosamente mostrar-nos.
E talvez seja aí, finalmente, que o Zé Ninguém deixa de ser ninguém.
Quando começa a pensar antes de seguir.
Nota Editorial
Esta crónica retoma, em chave contemporânea, a figura do "Zé Ninguém" como metáfora do indivíduo que abdica de parte da sua autonomia intelectual. A expressão não designa uma classe social, nível de escolaridade, nacionalidade ou posição política. O conformismo, a credulidade selectiva e o raciocínio motivado podem surgir em qualquer grupo e em qualquer campo ideológico.
A investigação sobre redes sociais exige também prudência. Não existe evidência séria de que um algoritmo, isoladamente, explique a polarização política ou determine mecanicamente aquilo em que uma pessoa acredita. Experiências de grande escala realizadas em Facebook e Instagram durante as eleições norte-americanas de 2020 alteraram fortemente a composição dos feeds sem produzir mudanças correspondentes em muitas atitudes políticas no curto prazo. Estudos posteriores noutras plataformas, porém, encontraram efeitos mensuráveis da recomendação algorítmica sobre exposição e, em alguns casos, sobre atitudes. A relação é, portanto, contingente: depende do desenho da plataforma, do contexto político, dos conteúdos, das redes sociais dos utilizadores e das predisposições humanas.
O alvo da crónica é precisamente essa interacção. Sistemas de recomendação optimizam selecção e atenção; seres humanos possuem tendências para confirmação, identidade de grupo, indignação e procura selectiva de informação; actores políticos e económicos competem por visibilidade. O resultado pode ser um ambiente em que a influência se torna menos visível porque chega personalizada.
A inteligência artificial acrescenta uma nova camada. Pode ampliar aprendizagem, comparação de argumentos e acesso ao conhecimento, mas também pode ser utilizada como instrumento de confirmação das convicções do utilizador. Por isso, literacia mediática, verificação de fontes, disposição para rever crenças e capacidade de perguntar "o que me faria mudar de opinião?" tornam-se competências democráticas tão relevantes como o simples acesso à informação.
Referências e enquadramento internacional
- Andrew M. Guess et al. — "How do social media feed algorithms affect attitudes and behavior in an election campaign?", Science, 381, 2023. Uma experiência em Facebook e Instagram durante as eleições norte-americanas de 2020 encontrou mudanças substanciais naquilo a que os utilizadores eram expostos quando o feed era alterado, mas efeitos limitados nas atitudes políticas medidas no curto prazo.
- Brendan Nyhan et al. — "Like-minded sources on Facebook are prevalent but not polarizing", Nature, 620, 2023. O estudo encontrou exposição significativa a fontes politicamente alinhadas, mas não observou alterações mensuráveis em várias atitudes após reduzir esse conteúdo durante o período experimental.
- G. Gauthier et al. — "The political effects of X's feed algorithm", Nature, 2026. Investigação experimental mais recente encontrou que o feed algorítmico do X alterou a exposição política e produziu mudanças em algumas atitudes políticas dos participantes, mostrando que os efeitos podem depender da plataforma e do contexto.
- H. Ibrahim et al. — "Systematic partisan content skews in TikTok during the 2024 U.S. presidential election", Nature, 2026. O estudo documenta assimetrias partidárias na exposição a informação política numa plataforma fortemente dependente de recomendações algorítmicas.
- K. L. McLoughlin et al. — "Misinformation exploits outrage to spread online", Science, 2024. O trabalho analisa, em múltiplas plataformas e períodos, a relação entre indignação moral, partilha e disseminação de desinformação.
- OECD — "Facts not Fakes: Tackling Disinformation, Strengthening Information Integrity", 2024. A OCDE relaciona desinformação, polarização e erosão da confiança nas instituições democráticas e propõe reforço da integridade dos ecossistemas de informação, transparência e literacia mediática.
- OECD — Digital Economy Outlook 2024, Volume 2: Media consumption and privacy. A OCDE destaca a literacia mediática e a capacidade de detectar conteúdos falsos ou enganosos como parte importante da resposta aos riscos digitais.
- UNESCO — Media and Information Literacy and Digital Competencies, 2025. A UNESCO apresenta a literacia mediática e informacional como ferramenta para pensamento crítico, avaliação de informação, uso responsável da inteligência artificial e resistência à desinformação.
- UNESCO — "AI can make mistakes: Why media literacy matters more than ever", 2025. A UNESCO sublinha que sistemas de IA podem produzir informação errada e que o pensamento crítico continua a ser essencial para avaliar conteúdos gerados ou mediados por inteligência artificial.
A civilização não será salva por máquinas mais inteligentes, mas por humanos suficientemente educados para saberem o que fazer com elas.- Francisco Gonçalves (2026)